O Hoje e o amanhã

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Pitt



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A todos os amigos, colegas, leitores, Muita coisa há de se refletir na conjuntura atual da Saúde no Brasil! Situação complexa, de confronto, coisa aliás, bem comum no resto do mundo mas que o Brasil não está muito acostumado. Há 2 décadas, parece imperar um consenso... de faltas e de programas, propostas... Ao apoiar e participar do Mais Médicos, não deixo em momento algum de pensar na complexidade dessae de todas as questões da Saúde neste momento: refletir sobre onde falhamos deveria nos ajudar a corrigir os rumos... Para mim, formando médicos numa universidade pública estadual, tudo fica ainda mais duro. Tenho esboçado algumas conclusões: acho que achávamos que o SUS teria como ser o que idealizamos, mesmo num Estado Capitalista!! Grande ilusão, acho hoje!!! O redudante "acho que achávamos" traz um passado e a despretensão de falar por todos. falo por mim, até porque não está fácil discutir política em grupos políticos... Eu disse tantas vezes que 'o SUS ainda está em construção', é novo, é processo... e hoje vejo que isso foi um erro. Não é processo, não é mais construção. é uma disputa às vezes clara, muitas vezes silenciosa e que nós (eu) não ajudei a explicitar... Conhecendo na semana passada, um pouquinho de outros países da América Latina, vi como a OPAS/OMS é forte, como a 'globalização' (o capitalismo) é forte, como conseguiram fazer com que tantos países de histórias, trajetórias, políticas tão diferentes tivessem, por outro lado tando em comum: a privatização da saúde, uma divisão de classes sociais definindo o direito à saúde, as dificuldades dos serviços públicos para sobreviver, a APS para os que não podem pagar os planos... De todos, o Chile foi o único que conseguiu nos últimos anos reduzir o percentual da população coberta por seguros privados de saúde... Achamos que a nossa militância no SUS poderia fazê-lo melhorar... Em 95, eu já gerenciava a rede estadual de Pernambuco e já tentava acordos com a corporação para garantir o acesso (mínimo até!) ao direito à saúde. Tentamos programas de residência no interior, tentamos concursos e carreiras específicas, tentamos planos de cargos e salários com incentivos de entrâncias, por cidades mais distantes, (e olhe que à época Plano de cargos era palavra proscrita por quase todos no auge do neoliberalismo de Collor/FHC). Tentamos até programas tipo "de volta para casa" que buscava que os formandos que fossem do interior tivessem incentivos para voltar para sua cidade de origem. Enfrentamos já naquela época boicotes e chantagens. Os anestesistas boicotaram os concursos e chantagearam os poucos que fizeram a não assumirem, sob a pena de não poderem fazer parte da Cooperativa (a Imperadora onipresente Coopanest-PE). Fomos ao Ministério Público denunciá-los por cartel. fomos buscar anestesistas de Alagoas e da Paraíba. O mesmo foi acontecendo com outras especialidades... Ontem pensava: isso foi há 18 anos atrás!!! Não estamos em guerra declarada, nossas catástrofes deveriam ser previsíveis e deveríamos ter estruturas para atendê-las (por falar em catástrofes, os outros países já tem seguros de saúde específicos para catástrofes... por cima dos seguros de saúde 'gerais'...) Acho hoje que nessa de 'estamos construindo o SUS', de Mostra de experiências exitosas, de projetos e programas novos, fomos sendo absorvidos, calados, ficamos cegos. O SUS não vai crescer, não vai melhorar, vai continuar sendo um "atendimento para quem não pode ter plano de saúde" e a garantia de "vigilância e controles de qualidade" que são também necessários aos que tem plano. Precisamos de mais médicos sim. E acho que quebrar a hegemonia dessa categoria é fundamental! Ela está na base da indústria hospitalar, dos empreendedores que buscam cada vez mais o lucro em cima da saúde da população. Nestes 20 anos, também esta categoria 'apareceu' como se fosse UNA, como se as divergências políticas não existissem. Tô achando muito bom as divergências se explicitarem. Isso é salutar, saudável, traz para a luz o que não se conseguia ver. Nas palavras de Paulo Freire, DESVELA - TIRA O VÉU que encobria a visão, mostra quem são os trabalhadores sociais comprometidos com a transformação. Também precisamos de mais enfermeiros, dentistas, psicólogos, educadores físicos, nutricionistas, farmacêuticos, fisioterapeutas, assistentes sociais, sanitaristas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, biólogos, biomédicos, engenheiros clínicos e biomédicos, físicos médicos, veterinários, educadores artísticos, técnicos de enfermagem, agentes comunitários e tantos outros profissionais. Precisamos de movimentos sociais, de discutir política - principalmente na universidade, de rever a organização das conferencias, dos conselhos. E tantas outras coisas. Estou convencida também que defender o SUS é dizer que ele não está em construção, é não justificar a lentidão dos nossos processos institucionais. É explicitar os interesses em jogo, é ir pro confronto. buscar formas diferentes de fazer acontecer, reconhecendo todos esses velamentos, pra não chamar de erros... AbraSUS a todos,

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